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Política ELEIÇÕES 2026

PT do Pará impõe candidatura de vice a Hana Ghassan e provoca mal-estar na militância

O nome de Ten Caten foi aprovado internamente por ampla maioria — 70 votos a 13, segundo o próprio parlamentar

26/07/2026 08h32 Atualizada há 1 mês atrás
Por: Gesiel Teixeira Fonte: Xinguara Ativa
PT do Pará impõe candidatura de vice a Hana Ghassan e provoca mal-estar na militância

Indicação de Dirceu Ten Caten à vice na chapa da governadora do MDB divide opiniões nas redes sociais; internautas questionam protagonismo do partido e recordam legado de Ana Julia Carepa
A confirmação do deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) como pré-candidato a vice-governador na chapa da governadora Hana Ghassan (MDB) para as eleições de 2026 tem gerado forte repercussão entre a militância petista e o público em geral nas redes sociais. Publicações sobre o tema acumulam dezenas de comentários, boa parte deles críticos à decisão do diretório estadual do partido de compor a vice na chapa governista em vez de lançar candidatura própria ao Palácio dos Despachos.


O nome de Ten Caten foi aprovado internamente por ampla maioria — 70 votos a 13, segundo o próprio parlamentar — após uma sequência de plenárias regionais realizadas em Marabá, Santarém e Belém. A indicação encerrou a disputa que também envolvia o ex-senador Paulo Rocha, que resistia à ideia de compor a vice e foi pressionado pela direção nacional do partido a concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Aliança com o MDB divide opiniões


A decisão de manter a aliança com o MDB de Helder Barbalho — hoje senador eleito e ex-governador — em vez de disputar o Executivo estadual com candidatura própria tem sido o principal alvo das críticas. Nos comentários analisados, parte significativa dos internautas classifica a postura do PT paraense como submissa em relação ao grupo político dos Barbalho, cobrando do partido um projeto autônomo para o Estado.


É o caso da advogada Silvia Miranda, que descreveu a posição do partido no Pará como um papel de coadjuvante em relação aos Barbalho. Para ela, Ten Caten reúne experiência e trajetória suficientes para encabeçar uma candidatura própria ao governo, e a opção pela vice reforçaria a imagem de que o PT abriu mão do protagonismo político no Estado — o que, na sua avaliação, prejudica o debate democrático e a construção de uma alternativa real de poder.
Na mesma linha, o internauta identificado como igordopt1985 relembrou que o Pará já teve, em Ana Julia Carepa, a primeira governadora petista do Estado, e defendeu que o partido poderia ter lançado uma chapa própria com Paulo Rocha à cabeça e Ana Julia na vice. Para ele, é necessário “reacender a esperança do socialismo democrático” no Pará e resgatar um perfil mais à esquerda para a sigla.Outros comentários seguiram tom semelhante. O usuário niloclaudio40 afirmou que deixaria de votar no partido caso a legenda tenha sido “alugada” para o grupo político de Helder Barbalho, dizendo não se sentir representado pela atual condução do PT estadual. Já luan_xavier_ resumiu o sentimento em uma frase: disse sentir tristeza com os rumos tomados pelo partido no Pará. O comentarista vinicius.d.souza_ foi ainda mais direto, sugerindo que a aliança seja tocada sem o apoio de sua parte.


Desconfiança em relação aos Barbalho
Parte dos comentários também expressou desconfiança em relação ao grupo político liderado pela família Barbalho, historicamente hegemônico na política paraense. O internauta rivelinozarpellon resumiu essa percepção afirmando não confiar “nos Barbalhos” e dizendo enxergar movimentações de bastidor no processo. Em tom mais bem-humorado, o comentarista carlos_xp94 observou que Hana Ghassan e Helder Barbalho têm conseguido, segundo ele, desagradar tanto a direita quanto a esquerda paraense.
Nem todas as reações foram negativas. Usuários como mirosanova, marrcusvieira, carlinhostamex e locutorfrankdias manifestaram apoio à composição da chapa, classificando a aliança entre PT e MDB como uma união importante para o Estado. O comentarista vigiasergio chegou a projetar que Ten Caten será “o melhor vice-governador” que o Pará já teve. Já o usuário costano41 declarou que parte da militância petista pretende votar em Araceli Lemos para o Senado, por entender que a candidata mantém alinhamento com o presidente Lula, enquanto giba.marques.56 sinalizou apoio a um nome identificado nos comentários apenas como “Dr. Daniel”.


O que está em jogo
A disputa interna também expôs divergências entre as correntes do PT paraense. Alas mais à esquerda, como a Unidade na Luta (UL), aliada à Democracia Socialista (DS), defendiam candidatura própria ao governo, mas foram derrotadas na votação do diretório estadual. Já as correntes de Beto Faro (Articulação Socialista), Dirceu Ten Caten (Construindo um Novo Pará) e Paulo Rocha uniram forças em torno da aliança com o MDB, priorizando a reeleição do presidente Lula e a ampliação das bancadas do partido na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.


O episódio ilustra um dilema recorrente do petismo paraense: equilibrar a manutenção de espaço de poder por meio de alianças amplas com a pressão interna por um projeto político próprio e mais identificado com as bandeiras históricas do partido. Com a definição da chapa majoritária, a expectativa agora é de que o debate se desloque para a disputa das vagas proporcionais e para a definição do nome do PT ao Senado, ainda pendente de acordo entre as lideranças estaduais e a direção nacional.

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