O neologismo “comunarista” significa isso mesmo que você está pensando, isto é, a transformação de uma pessoa sabidamente comunista em um ferrenho bolsonarista. Pois é caro leitor, o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo construiu toda a sua trajetória política defendendo ideias inspiradas em Karl Marx, Mao Tsé Tung e Vladimir Lenin, militando por décadas no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Com o passar do tempo, porém, ele passou a adotar posições cada vez mais próximas do conservadorismo e do bolsonarismo, numa guinada ideológica à direita que surpreendeu antigos aliados e eleitores.
Natural da cidade de Viçosa (MG), Aldo Rebelo iniciou sua militância estudantil ainda durante a ditadura militar e consolidou-se como um dos principais quadros históricos do PCdoB no Brasil. Ao longo de sua carreira, elegeu-se seis vezes deputado federal por São Paulo, tornando-se uma das figuras mais influentes da esquerda brasileira entre as décadas de 1990 e 2010. O então deputado comunista chegou a ser Presidente da Câmara dos Deputados em 2005 com o apoio do Presidente Lula (PT).
Anos depois, já no Governo Lula, exerceu cargos de destaque, como ministro da Coordenação Política e secretário de Relações Institucionais. Posteriormente, durante o governo Dilma Rousseff, ocupou os ministérios do Esporte, da Ciência e Tecnologia e, por fim, da Defesa, entre 2015 e 2016. Todo este currículo transformou Rebelo em um baluarte da esquerda progressista.
No entanto, a derrota eleitoral de 2014, quando não conseguiu renovar seu mandato na Câmara dos Deputados, marcou o início de um processo de afastamento da esquerda partidária. Nos anos seguintes, Aldo Rebelo intensificou críticas ao PT, ao PSOL e a movimentos progressistas, adotando um discurso nacionalista conservador e aproximando-se de setores ligados ao agronegócio e aos grandes proprietários rurais, “cuspindo no prato que comeu” quase a vida toda.
Essa mudança tornou-se ainda mais evidente a partir de 2021 e 2022, quando passou a participar de entrevistas e eventos com forte convergência com pautas defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado, e seus apoiadores. Para muitos ex-companheiros de militância, o antigo dirigente comunista abandonou bandeiras históricas da esquerda para se alinhar a um campo político que antes combatia, sendo visto como um “escroque ideológico” e “lambe botas” de Jair Bolsonaro.
Para piorar a situação, outro sinal de sua perda de protagonismo político foi a decisão do Partido Democracia Cristã (DC) de deixar de apostar em seu nome e buscar alternativas como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa para a disputa presidencial de 2026. Um ex-magistrado desprovido de um trato refinado e um mínimo de um carisma que um político precisa ter para ganhar a simpatia do eleitor. Vejo em Joaquim Barbosa, uma ex-presidenta Dilma Rousseff com um grau intelectual um pouquinho mais refinado, porém sem nenhum traquejo para lidar com os meandros do lamaçal dos corredores de Brasília (DF).
A trajetória de Aldo Rebelo tornou-se um dos casos mais emblemáticos de “metamorfose ideológica” na política brasileira. De líder histórico do comunismo nacional a crítico ferrenho da esquerda, sua caminhada revela como convicções políticas podem ser reformuladas ao longo do tempo e como antigos símbolos podem acabar relegados ao “lixo da história”, na avaliação de seus antigos apoiadores.
Como diz o ditado popular, “o tiro saiu pela culatra”, pois, internamente nas negociações políticas, quem não cumpre o que diz, não costuma ter vida longa, embora para o pobre do eleitor e apoiadores, a palavra de um político costuma ser circunstancial e quase sempre nunca é cumprida. Pobre Aldo Rebelo, transformou-se em uma vítima de suas próprias escolhas. Como já possui mais de 70 anos de idade, resta a ele analisar se lucrou mais com esquerda ou com a direita.
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