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Celular de Vorcaro reúne contatos da cúpula da Câmara; preso da mesma operação morre após tentar tirar a própria vida na PF

Agenda em iPhone considerado “comercial” do empresário inclui presidente e ex-presidente da Câmara; à noite, investigado conhecido como “Sicário” teve morte encefálica após ser socorrido

05/03/2026 20h11
Por: Gesiel Teixeira Fonte: Agencia Brasil
Celular de Vorcaro reúne contatos da cúpula da Câmara; preso da mesma operação morre após tentar tirar a própria vida na PF

O iPhone 17 apreendido na primeira operação que levou à prisão do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, guardava uma agenda com contatos de integrantes da cúpula da Câmara dos Deputados do Brasil.

Entre os nomes registrados no aparelho estão o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor imediato, Arthur Lira (PP-AL).

Segundo fontes que acompanham as investigações, o telefone era considerado o número “comercial” de Vorcaro — utilizado para interlocução institucional e empresarial. O aparelho foi recolhido em operação realizada no ano passado e integra o material atualmente analisado pelas autoridades.

Um relatório técnico vinculado ao WhatsApp do celular classifica os contatos em dois tipos: simétricos, quando há reciprocidade e ambos os lados têm o número salvo, e assimétricos, quando apenas o titular do aparelho mantém o registro.

No caso de Hugo Motta e Arthur Lira, os números estavam salvos no telefone de Vorcaro, mas não há indicação de que os parlamentares também tivessem o contato do empresário registrado em seus próprios aparelhos, ao menos segundo o documento analisado. O material também não permite concluir se houve troca de mensagens.

Entre os contatos classificados como recíprocos aparecem apenas dois parlamentares: Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) e Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

Outros nomes aparecem apenas como registros no telefone do empresário, entre eles Diego CoronelAguinaldo RibeiroAltineu CôrtesDoutor LuizinhoFausto PinatoJoão Carlos BacelarMárcio MarinhoNikolas FerreiraFlávia ArrudaRodrigo Maia, além dos ex-deputados Lucas Gonzalez e Vinicius Poit.

Também aparecem na agenda Bilac Pinto, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, e Fábio Mitidieri, presidente do PSD em Sergipe.

A presença de Nikolas Ferreira na lista coincide com um episódio já revelado publicamente. Durante a campanha eleitoral de 2022, o deputado utilizou o jatinho de Vorcaro em agendas ligadas à campanha do então presidente Jair Bolsonaro.

A coincidência entre o registro telefônico e o episódio da aeronave não comprova articulação institucional, mas indica que a relação entre o empresário e parte da classe política não se restringia ao ambiente financeiro.

Outro ponto destacado por investigadores é a quantidade de aparelhos apreendidos. O iPhone 17 foi recolhido na primeira fase da investigação, e uma nova operação realizada neste ano resultou na apreensão de mais cinco celulares em posse de Vorcaro.

Ao todo, portanto, são ao menos seis dispositivos sob análise das autoridades, o que indica que o telefone agora descrito representa apenas uma parte do universo de dados ainda em apuração.

Preso morre após episódio na PF

Ainda no contexto das investigações, morreu na noite desta quarta-feira (4) Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos na Operação Compliance Zero.

Conhecido como “Sicário”, Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal do Brasil na Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais.

Na tarde desta quarta-feira, a Polícia Federal informou que o investigado chegou a ser socorrido por agentes que estavam no local. Ele foi submetido a procedimentos de reanimação ainda na unidade da corporação.

Em seguida, o preso foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para atendimento na rede hospitalar.

Fontes da PF confirmaram que Mourão teve morte encefálica e não resistiu após dar entrada no hospital.

O ocorrido foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a corporação, todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio serão encaminhados ao tribunal. 

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