O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio pode provocar aumento no preço dos alimentos também no Pará nos próximos meses, segundo análises de economistas e especialistas do setor agrícola. Mesmo com o conflito acontecendo a milhares de quilômetros do Brasil, a guerra afeta cadeias globais importantes para a produção de alimentos, como fertilizantes, transporte marítimo e combustíveis, fatores que impactam diretamente o custo de produção no campo.
Alguns desses custos já começaram a subir poucos dias após o início do conflito. A agricultura brasileira depende fortemente da importação de fertilizantes e parte das matérias-primas vem de países do Oriente Médio. Com a escalada da guerra, as cotações internacionais desses insumos já registraram alta.
Especialistas apontam que o aumento foi rápido no mercado global, com elevação de cerca de 10% a 12% em alguns tipos de fertilizantes logo após o início do conflito. Mesmo que o Brasil procure fornecedores em outros países, como Canadá ou Rússia, a tendência é de preços mais altos, já que o mercado internacional reage às tensões na região.
Outro impacto vem do transporte marítimo. O Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, por onde passam navios com petróleo, fertilizantes e diversos produtos. Sem acesso à passagem, embarcações precisam fazer desvios em rotas comerciais, o que aumenta o custo de frete, o tempo de viagem e o valor do seguro das cargas. Esse encarecimento afeta não apenas produtos vindos do Oriente Médio, mas o comércio internacional como um todo.
A região do Golfo é uma das principais produtoras de petróleo do planeta. Com a guerra, o preço internacional do combustível tende a subir. Isso pode encarecer o diesel utilizado em máquinas agrícolas e no transporte de alimentos por caminhões, algo importante para estados com grande logística rodoviária e fluvial, como o Pará. Com custos maiores no campo e no transporte, parte desse aumento pode chegar ao consumidor final.
Além dos preços internos, o conflito pode impactar as exportações brasileiras. Países do Oriente Médio são importantes compradores de produtos como carne, frango e açúcar do Brasil. Com rotas marítimas mais longas e caras, empresas exportadoras enfrentam dificuldades logísticas. Navios que já estavam a caminho da região têm sido redirecionados para rotas alternativas, o que aumenta custos de transporte e armazenamento das cargas.
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