Sinais de agravamento
A situação teria se agravado na manhã seguinte, ou seja, no sábado. Jaqueline relata que uma fisioterapeuta ligada à equipe médica esteve no quarto e questionou os sintomas apresentados por Giovanna. “Por volta de 9h30, 9h40, chega a fisioterapeuta do médico, olha para ela e fala: ‘Você está com dor ou você está dolorida?’”, relatou Jaqueline.
De acordo com Jaqueline, uma enfermeira que havia sido contratada pela família e que teria sido dispensada durante a madrugada também retornou ao hospital após ser acionada. “Ela olhou para ela e falou: ‘Ela está com batimento de 157 BPM, e tu acredita que ela está dolorida? Na nossa faculdade a gente sabe que isso significa dor. Ela está com a pressão 6 por 13, ou 6 por 3, ela está morrendo de dor’”, afirmou Jaqueline.
Três paradas cardíacas
Jaqueline afirma que Giovanna sofreu três paradas cardíacas após o agravamento do quadro. Na primeira parada, André Melo teria aparecido no hospital e realizado a reanimação da jovem. Após isso, segundo o relato, ele foi embora e não teria sido mais visto.
Ainda conforme Jaqueline, diante da ausência de André, a irmã de Giovanna, que é médica, teria acionado outros profissionais para auxiliar no atendimento. “Contratou intensivistas e eles adentraram ao hospital para dar o suporte que a Giovanna precisava”, disse.
Preparação para a cirurgia
Outro ponto questionado pela família é a preparação de Giovanna para o procedimento. Jaqueline afirma que a jovem teria sido orientada a realizar reposição de vitaminas e polivitamínicos cerca de dois meses antes da cirurgia, mas teria recebido a orientação para iniciar a preparação apenas um dia antes do procedimento.
“As vitaminas, os polivitamínicos que a Giovana tinha que fazer em torno de dois meses antes, eles pediram para a Giovana fazer na quinta-feira, sendo que ela ia operar na sexta-feira”, contou Jaqueline.
Jaqueline também questiona a duração da cirurgia, considerando a quantidade de procedimentos realizados. “Ao que tudo indica, por informações que a gente teve lá dentro, ele fez a cirurgia com pressa. Já pensou quatro procedimentos e ele operar em quatro horas?”, questionou Jaqueline.
CRM-PA vai apurar o caso
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) informou que tomou conhecimento, nesta segunda-feira (10), por meio das redes sociais, do falecimento de Giovanna Coelho Gomes e da denúncia relacionada ao caso. Diante dos fatos, o Conselho informou que irá instaurar procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias.
O CRM-PA esclareceu ainda que os procedimentos administrativos, incluindo Sindicâncias e Processos Ético-Profissionais, tramitam sob sigilo, conforme estabelece o artigo 1º do Código de Processo Ético-Profissional.
A reportagem tenta localizar a defesa do médico André Melo para que ele possa se manifestar sobre os relatos apresentados pela família. A reportagem também tenta localizar Karol Cardoso para ouvir sua versão sobre as mensagens e os demais fatos relatados pela família. A assessoria de imprensa do Hospital Beneficente Portuguesa foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.