O projeto de lei orçamentária do Estado para 2015, encaminhado pelo Executivo e no momento sob apreciação da Assembleia Legislativa, pode ser tomadocomo uma alentada coleção de equívocos. Os números produzidos pelo governo Jatene mostram distorções verdadeiramente absurdas na distribuição orçamentária para as diversas regiões do Pará. Evidencia-se, também neste caso, o descolamento, por mim tantas vezes denunciado no curso da última campanha, entre o discurso do governador e a prática de seu governo.

Excetuando-se a Região Metropolitana e o nordeste paraense, a certeza que ficaé que o governador está fazendo não uma proposta para a integração e o desenvolvimento harmônico do Estado, como seria de se esperar da parte de um governo responsável. Infelizmente, porém, não é este o caso. O que ganha saliência na peça orçamentária é um propósito claro de esvaziar extensas áreas do Pará, aprofundando a ausência do Estado epenalizando de forma perversa as camadas mais pobres de nossa população interiorana.

Seria uma forma mesquinha e malévola de retaliação contra os resultados colhidos nas urnas pelo governador, nas áreas que agora ele trata de hostilizar? Para um governante cujo discurso faz do combate às desigualdadesuma espécie de bordão político, soa contraditória a disparidade observada na distribuição orçamentária e até afrontoso o tratamento negligente por ele dispensado às regiões mais distantes e desassistidas do Pará.

Como explicar, por exemplo, que a região de Carajás, uma das potencialmente mais ricas do Estado, possa ser contemplada com apenas 2,68% dos investimentos, com valor quase 60% menor que o do ano passado? E o que dizer da região do Lago de Tucuruí, à qual o projeto de Jatene destina apenas 1,27% do bolo orçamentário, com redução de 37,12% na comparação com 2014? Eu estou citando apenas duas regiões, mas a política de terra arrasada, que preconiza a proposta do Executivo, se estende a quase todo o interior, varrendo com a mesma onda de desprezo e indiferença o vale do Tapajós, o Baixo Amazonas o arquipélago marajoara e as bacias do Xingu e do Tocantins.

A concentração de mais de 72% dos investimentos na Região Metropolitana mostra que Simão Jatene não pretende fazer, na gestão que se inicia em 2015, um governo de reunificação, de construção de pontes para a busca da harmonização social. Pelo contrário. O que está diante de nós é um projeto de segregação, é uma aposta perigosa de embate entre o sul e o norte do Pará. O que fica claro, na leitura dos números, é um projeto separatista. Nada ali, afinal, indica sequer a intenção de se fazer um governo igual para todos.

Não deixa de ser curioso que tais equívocos partam de quem, na última campanha, trouxe insistentemente à discussão, de forma até leviana, a tese segundo a qual eu estaria comprometido com a divisão do Estado, quando na verdade este assunto em nenhum momento frequentou a minha agenda política. A verdade está se revelando agora, expondo as gritantes contradições que embalam, numa direção, o discurso eleitoreiro de quem tem como projeto único o usufruto do poder, e em direção oposta o descompromisso dos impostores.

Dessas imposturas, aliás, há outro exemplo claro. A proposta orçamentária para 2015, que castiga severamente os municípios do interior, condenando-os ao atraso e ao subdesenvolvimento pela ausência quase total do Estado, é apresentada, coincidentemente, quase que ao mesmo tempo com o discurso que acena para a descentralização administrativa. Como e para que descentralizar a administração, se não haverá dinheiro para investimento?Ou tudo não passa de manobra para tentar iludir a nossa população, explorando a sua boa fé?

Ao dar as costas para o interior, tratando com desprezo asua população e fomentando as rixas regionais, o governo aprofunda as desigualdades, acentua a percepção de ausência do Estado, torna mais agudos os ressentimentos e fortalece, ele sim, o sentimento separatista – que depois, maliciosamente, trata de atribuir aos adversários.

Esses equívocos monstruosos, deliberadamente construídos por Simão Jatene, vão cobrar dos paraenses um preço muito alto em futuro próximo.

Gesiel TeixeiraParáPolíticadividir,paráO projeto de lei orçamentária do Estado para 2015, encaminhado pelo Executivo e no momento sob apreciação da Assembleia Legislativa, pode ser tomadocomo uma alentada coleção de equívocos. Os números produzidos pelo governo Jatene mostram distorções verdadeiramente absurdas na distribuição orçamentária para as diversas regiões do Pará. Evidencia-se, também neste caso,...Notícia com Responsabilidade e Transparência