Passadas as eleições, tudo volta como dantes no país de Abrantes. O que se guardava a sete chaves para não espantar o eleitor, agora vira lugar-comum. Foi assim com a alta da taxa básica de juros da economia, com o aumento de preço dos combustíveis e agora – pasmem! – com a conta de energia elétrica.

O efeito bumerangue desses três aumentos provoca estragos numa cadeia sucessiva de preços, com reflexos no aumento da inflação. E a economia – antes estabilizada, desde a época de Fernando Henrique e Lula – começa a descarrilar.

Aos poucos, o dinheiro vai novamente perdendo o seu valor. O reajuste de salários não acompanha os preços e vive-se, mais uma vez, no país, o temor da inflação galopante que um dia foi marca registrada no Brasil, gerando uma sucessão de planos econômicos que não deram certo.

Se a política monetária adotada pelo governo revela-se frágil, algo precisa ser feito antes que a porta seja arrombada. Como diria o ex-presidente Lula, “nunca antes na história desse país…” viu-se um governo mascarar resultados de superávit primário para atingir a meta. E com o aval do Congresso. E o pior: com aprovação condicionada – com todas as letras – à liberação de emendas parlamentares para que os políticos pudessem dispor de recursos para obras eleitoreiras em suas bases.

Se a promiscuidade entre Executivo e Legislativo virou coisa banal – assim como as denúncias de corrupção, inclusive envolvendo a Petrobras, uma empresa até pouco tempo acima de qualquer suspeita -, o que dizer do que possa existir por baixo do tapete do setor elétrico?

Não é à toa que o governo agora anuncia aumento da tarifa de energia, com a implementação do sistema de bandeiras tarifárias – se vermelha, o consumidor pagará mais R$ 3,00 para cada 100 kwh (quilowatts/hora) consumidos – que entra em vigor a partir de janeiro.

O novo sistema visa a cobrir custos com o uso de usinas termelétricas que suprem a demanda reprimida pelas hidrelétricas, em função do baixo nível dos reservatórios, devido à escassez de chuvas, principalmente nas regiões Sul/Sudeste do país. No dia 30 de janeiro, o governo divulgará qual a cor da bandeira válida para fevereiro. Mas reajuste de salário não entra em discussão, nem no governo, nem na iniciativa privada, onde as questões geralmente acabam em dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.

O que se verifica, portanto, é que a escalada de preços que será provocada pelo reajuste dos combustíveis, que atinge praticamente todos os insumos da cadeia produtiva, aliado ao da energia elétrica e ao encarecimento do crédito, com taxa de juros mais elevada, tende a levar o país a um retrocesso, caso medidas profiláticas não sejam tomadas concomitantemente. Do contrário, o dragão da inflação será novamente o mascote brasileiro.

No caso do Pará, a situação é ainda mais grave. Não bastasse a política de reajuste da conta de luz do governo, implementada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ainda temos uma concessionária de energia que vem de um processo de recuperação judicial, com oferta precária de serviços e grande número de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor. 

Ou seja, o paraense irá pagar ainda mais caro por um serviço que, pelo que vem sendo oferecido até então, não corresponderá ao valor reajustado. Será, portanto, duplamente prejudicado. Por um serviço caro de má qualidade e ainda terá que bancar a falta de água em outras regiões do país, devido à insuficiência de investimentos do governo federal no setor elétrico. Isto, sim, crônica de uma crise anunciada desde que os apagões já prenunciavam a possibilidade de novamente virem à tona, anos atrás.

Isto sem considerar que é justamente o Pará que abastece outros estados, por meio da hidrelétrica de Tucuruí e agora com a construção da usina de Belo Monte, numa região onde o que não faltam são água e chuvas. Se Deus foi pródigo com o paraense, o governo federal deixa a desejar.

(fonte: o globo)

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