Eu estou separada das crianças e as crianças estão separadas uma da outra”, disse em entrevista exclusiva à TV Liberal a dinamarquesa Angelina Maalue Avalon Mathiesen, que foi obrigada a voltar com os filhos ao país de origem em outubro de 2018. Uma outra dinamarquesa Lisbeth Markussen está presa em Ananindeua, região metropolitana de Belém, após decreto do Supremo Tribunal Federal (STF) e o pedido de extradição pela justiça dinamarquesa. Os filhos já estão fora do Brasil e devem ficar sob a guarda dos pais.

A defesa de Lisbeth deve recorrer à prisão domiciliar e contra o pedido da Dinamarca para o retorno dela para que seja feito o julgamento. A advogada, que assessorou as duas dinamarquesas em Belém, Luana Tomaz, disse que está entrando com pedido de prisão domiciliar. “Ainda haverá uma audiência e ela irá se defender”, explicou.

“O que ela pretende argumentar é que de fato (…) não é crime o que ela cometeu. Quando ela saiu da Dinamarca ela cumpriu todos os requisitos formais e ela possui a guarda compartilhada. Então não é crime aqui no Brasil esse tipo de coisa”, disse.

Segundo a advogada, a lei brasileira prevê como crime a subtração de criança quando não há a guarda, o que não seria o caso da dinamarquesa. “Por isso, não cabe a extradição”.

Lisbeth Markussen (Foto: Reprodução/Tv Liberal)
Lisbeth Markussen (Foto: Reprodução/Tv Liberal)

Processos

As duas mulheres saíram do país europeu durante uma disputa judicial pela guarda dos filhos e fugiram para o Brasil, se escondendo na ilha de Mosqueiro, balneário a 60 km de Belém. Ambas acusaram os ex-maridos de agressivos. Já os pais, que estão com a guarda das crianças, negaram as acusações e foram inocentados pela Justiça dinamarquesa.

Angelina agora responde em liberdade por sequestro internacional ao fugir após ter perdido a guarda dos filhos de 6 e 3 anos para os respectivos pais. Ela disse à reportagem da TV Liberal que, deste que voltou pra Dinamarca, viu os filhos muito pouco e que eles choram muito, com saudades um do outro. Ela diz que sente falta do Brasil.

“Em Brasil uma boa vida com crianças. E agora em Dinamarca não tem crianças, não tem trabalho”, disse Angelina.

A fuga

Lisbeth e Angelina, partiram de carro pelas estradas da Europa e atravessaram vários países. Lisbeth foi primeiro, em julho de 2015. Pegou um avião em Viena e passou pela República Dominicana, seguiu até o Peru e, por fim, até o Acre, por onde entrou no Brasil. Já Angelina fugiu depois, em março de 2016. Cruzou o Atlântico até a Guiana e, de lá, por Roraima.

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Elas se encontraram em Manaus e decidiram vir juntas para Belém. A viagem foi feita de barco e durou cinco dias. As duas decidiram se estabelecer na ilha de Mosqueiro, localizada a 72 km de Belém, um balneário com 28 mil habitantes.

Angelina e Lisbeth procuraram uma região da ilha que tivesse pouca gente morando. O refúgio delas foi na praia de Marauh, onde se hospedaram em uma pousada de frente para o rio. Na pousada, elas se identificaram como holandesas, disseram que eram irmãs, e que vieram ao Brasil para escrever um livro.

Angelina Mathiesen é considerada foragida na Dinamarca (Foto: Divulgação / Polícia Federal)
Angelina Mathiesen é considerada foragida na Dinamarca (Foto: Divulgação / Polícia Federal)

No final de 2016, a Interpol localizou as duas mães em Mosqueiro. Angelina buscou ajuda da advogada Luana Tomaz, que pediu a permanência da dinamarquesa no país. À época, a advogada explicou que Angelina fugiu por se sentir desamparada pela lei da Dinamarca. Angelina é mãe de Aia Sofia com Peter Alexander Lawaetz, e também de Leonardo, cujo pai é Vladimir Valiant Todorovski. Após acusar Peter de agressão, e Vladimir de ter abusado sexualmente da enteada, a justiça da Dinamarca decidiu que as crianças deveriam ficar com seus pais enquanto o processo tramitasse na justiça.

A Interpol suspeita que Angelina estivesse no Brasil desde março de 2016. Ela foi acusada de ter sequestrado os filhos após ter perdido a guarda das crianças de 6 e 3 anos para os seus respectivos pais. Além do mandado de prisão brasileiro, a Justiça da Dinamarca já havia expedido um mandado de prisão contra a suspeita, pedindo também sua extradição.

Após decisão da Justiça federal, em outubro de 2017, Angelina embarcou com os filhos para a DInamarca, Segundo a defesa dos pais dos filhos de Angelina, a Justiça concedeu a guarda definitiva aos pais. Foi determinado um mandado de prisão e um processo criminal contra Angelina, mas ela não foi detida e responde ao processo de sequestro internacional em Liberdade, Angelina, segundo a defesa dos pais, visita os filhos normalmente.

FONTE: G1/PA

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