Quantias generosas disponibilizadas por Jatene para o seu pré-candidato ao Governo levantaram suspeitas de parlamentares (Foto: Antônio Silva/Agência Pará)

Os mais de R$ 30 milhões que apenas duas empresas da área de saúde do atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado e candidato ao governo apoiado por Simão Jatene, Márcio Miranda (DEM), receberam do governo do Estado pagos entre janeiro de 2004 e 5 de junho deste ano caíram como uma bomba nos bastidores políticos do Estado e repercutiram na oposição no parlamento Estadual.

Além desses milhões pagos a um hospital e uma empresa de exames e diagnósticos pertencentes à mulher e os filhos do deputado do DEM, a edição de ontem o DIÁRIO mostrou que o Instituto de Capacitação e de Desenvolvimento Profissional e de Assistência Social Mercina Miranda, entidade filantrópica criada por Márcio Miranda em homenagem a sua mãe, recebeu pelo menos R$ 2,6 milhões dos cofres públicos, em valores atualizados.

Segundo o Portal da Transparência, os repasses do Governo do Estado atingiram quase R$ 1,5 milhão, entre 2004 e 2010, a maior parte através da Ação Social do Palácio do Governo (Asipag) e da Regional de Proteção Social da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), em Castanhal, a base eleitoral do deputado.

O deputado Chicão (MDB) lembra que é uma prática corrente, das últimas duas gestões de Jatene, beneficiar diretamente as empresas de seus apaniguados políticos com contratos milionários, sobretudo na área da saúde. “Já denunciei uma vez esse tipo de contrato no município de Ananindeua e que se estende para outros municípios”, lembra. “Essa situação ocorre sobretudo com Organizações Sociais, prestadores de serviço e outras corporações que são diretamente ligadas a políticos da base do governo e que recebem generosos contratos do Estado”.

José Scaff (MDB) disse que o atual governador também sempre beneficiou familiares. “Basta relembrar os milhões que os postos de gasolina do qual Beto Jatene, filho do governador, é sócio e receberam do erário público nos últimos anos”, reitera. “Esse mesmo filho foi indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, porque teria recebido propina de uma quadrilha que desviava royalties da mineração e em 2016 chegou inclusive a ser preso por isso”.

Já o deputado Soldado Tércio (Pros) avalia que são bastante estranhos os repasses milionários do governo para Márcio Miranda. “Isso precisa ser investigado a fundo. Se o vínculo político existe entre o governador e o candidato ao governo e se foram feitos repasses, de fato, a situação é bem complicada. Onde há fumaça há fogo”, destaca o deputado.

Relações familiares que renderam quantias generosas

O Hospital Francisco Magalhães, de Castanhal que, segundo a Receita Federal, pertence a Daniela Chaves de Magalhães Miranda, esposa do deputado, e a dois filhos do casal: Ygor e Ytalo foi o destinatário da maior parte desse dinheiro, pago pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep).

Cerca de 70% dos R$ 30 milhões foram pagos a partir de 2011, no governo Jatene, quando o Iasep passou a ser controlado pelo DEM, o partido do deputado. Entre 2011 e 2013, o Iasep foi até presidido por Kleber Tayrone Miranda, que é irmão de Márcio Miranda. Naqueles três anos, o dinheiro repassado a essas empresas superou tudo o que elas receberam nos seis anos anteriores.

Apenas o Hospital Francisco Magalhães recebeu do Iasep mais de R$ 19 milhões, segundo números do portal da Transparência. Desse total, mais de R$ 14 milhões (74%) foram pagos de 2011 para cá. Entre 2011 e 2013, quando o Iasep foi presidido pelo irmão do deputado, os pagamentos ao hospital somaram R$ 5,7 milhões, contra os R$ 4,9 milhões que ele havia recebido entre 2004 e 2010.

O quadro é parecido na Medical Diagnósticos e Assistência Médica Ltda, também de Castanhal e que também pertence à mulher e aos filhos de Miranda. Entre janeiro de 2004 e 5 de junho deste ano, o Iasep pagou à empresa mais de R$ 11,2 milhões. Desse total, mais de R$ 8 milhões (quase 71%) foram pagos de 2011 para cá.

Entre 2011 e 2013, quando o irmão do deputado presidiu o Iasep, os pagamentos à empresa somaram mais de R$ 3 milhões. Desde 2014, o Iasep é presidido por Iris Ayres Gama, que foi diretora administrativa e financeira de Kleber Tayrone, e também comandou as finanças da Vice-Governadoria, entre 2003 e 2006. Ao todo, o Hospital Francisco Magalhães e a Medical Diagnósticos receberam do Iasep R$ 30,4 milhões, dos quais R$ 22 milhões (quase 73%) de 2011 até hoje.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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