Bolsonaro e Haddad disputarão a presidência do Brasil no 2º Turno (Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

O deputado fluminense Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) se enfrentarão no segundo turno da eleição para presidente, no próximo dia 28.

A onda de apoios que impulsionou Bolsonaro, 63, na última semana antes do primeiro turno espraiou-se, mas não foi suficiente para finalizar o jogo neste domingo (7).

Com 99,97% das urnas apuradas, Bolsonaro liderava com 46,04% dos votos. Haddad somava 29,27%.

No Pará, o candidato militar teve 36,19% dos votos contra 41,39% do petista.

Será o sexto segundo turno em oito eleições presidenciais desde a redemocratização de 1985.

Se de 1994 a 2014 o que estava em jogo era avalizar ou rejeitar a gestão anterior, agora tanto Bolsonaro como Haddad são opositores ferrenhos da agônica e impopular Presidência de Michel Temer (MDB). O segundo turno, porém, vai se dar entre os dois candidatos de maior rejeição pelo eleitorado.

O deputado conseguiu associar-se à figura da novidade na política, mesmo sendo congressista desde 1991, e ganhou para si o rótulo de combatente principal contra o PT. Promete “quebrar o sistema”, sem dizer exatamente como o fará, apoiando-se na rejeição da política tradicional -algo que vai além de Lula, mas o inclui.

Já o ex-prefeito apresenta-se como um redentor de políticas de seu partido durante a era Lula, buscando esquivar-se do desastre econômico legado por Dilma Rousseff (PT), impedida e substituída por seu vice, Temer, em 2016.

Essa particularidade explica o fiasco experimentado pelo PSDB nessa eleição. O partido apoiou o impeachment e aliou-se a Temer até o ano passado, mesmo contra a vontade de seu candidato, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin.

De porta-estandarte do combate à corrupção protagonizada pelo PT, simbolizado pela Operação Lava Jato, a sigla viu o seu quase vencedor de 2014, Aécio Neves, ser envolvido em investigações policiais.

O papel de bastião do antipetismo foi conquistado por Bolsonaro. Com tudo isso, Alckmin teve o pior desempenho da história do partido em eleições presidenciais, com 4,81% dos válidos até agora.

O ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT) provou resiliência ao longo da corrida, mas a prevalência do PT e de Bolsonaro no seu reduto, o Nordeste, limitaram sua capacidade de ultrapassar Haddad como nome da esquerda -apesar de simulações de segundo turno o colocarem em posição mais confortável que a do petista. Tem 12,52% dos válidos até agora.

O voto mudancista vencedor neste domingo já foi representado em algum momento por Marina Silva, mas a candidata da Rede teve sua pior derrota nos três pleitos que disputou: mero 1% dos válidos. Foi ultrapassada por um neófito, João Amoêdo (Novo), com 2,57%, e por Cabo Daciolo, com 1,25%.

Henrique Meirelles (MDB), badalado ex-ministro da Fazenda, não teve como tirar a bola de chumbo representada por Temer de seu pé e amargou um sexto lugar, com 1,21%. Alvaro Dias (Podemos), que fez da defesa da Lava Jato sua bandeira, conquistou somente 0,86%.

O círculo eleitoral brasileiro, de certa forma, traz o país de novo a 1989. Lula, inelegível por ter sido condenado em segunda instância por corrupção, lançou Haddad como seu preposto após esticar até onde pôde a corda de sua candidatura na Justiça.

Se Haddad é um ator tradicional, apesar de ter sido um prefeito mal avaliado e derrotado em primeiro turno em 2016, Bolsonaro representa o surpreendente nessa campanha.
Ele coleciona polêmicas que lhe valem as pechas de fascista e radical, sendo réu por incitação ao estupro e um apologista da ditadura militar (1964-85). Seu ídolo político é o único torturador do período reconhecido assim pela Justiça, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015.

Nada disso impediu que sua campanha baseada em uso intensivo de redes sociais e grupos de mensagens instantâneas, a partir de 2015, o tornasse impenetrável a críticas dos apoiadores. Sem estrutura partidária ou tempo significativo de propaganda gratuita, virou fenômeno.

Cercou-se de colaboradores oriundos do Exército e de setores conservadores e admite sua ignorância sobre assuntos econômicos. Para tanto, escalou um economista ultraliberal, Paulo Guedes, para ser seu fiador junto aos mercados -mesmo com desconfianças, foi bem-sucedido dada a alergia que o mundo financeiro tem do PT.

Por fim, ou talvez para começar, houve o atentado de 6 de setembro. Ferido gravemente por uma facada no abdômen, Bolsonaro deixou fisicamente a campanha até o fim. Isso desorganizou a estratégia dos adversários de atacá-lo, embora seja incerto se isso se reverteria em apoio a nomes como Alckmin.

Bolsonaro só foi visto em parcas entrevistas e vídeos gravados para a internet, evitando a exposição ao contraditório em debates -só participou de dois.

Agora, terá tempo de exposição igual na propaganda gratuita e deverá enfrentar embates diretos com Haddad. A sabedoria convencional diria que será o tira-teima para a estratégia inusual de Bolsonaro, mas ela não foi boa conselheira até aqui neste 2018.

JAIR BOLSONARO (PSL)

Jair Bolsonaro nasceu no dia 21 de março, na cidade de Campisa, em São Paulo em 1955. Começou a carreira militar ao cursar a Escola Preparatória de Cadetes do Exército e e formou em 1977 na Academia Militar das Agulhas Negras.

Jair serviu 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioque (MS),entre 1979 e 1981. Se especializou em paraquedismo quando integrou a Brigada de Infartaria Paraquedista.

Se formou em educação física na Escola de Educação Física do Exército em 1983 e mestre em saltos pela Brigada. Ele chegou  a patente de Capitão.

Liderou em 1986 um protesto contra baixos salários dos militares. Em 1988 foi para a reserva, o qual no mesmo ano deu início à carreira política. Ele foi vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Em 1990 foi eleito deputado federal por sete vezes.

Jair Bolsonado é casado com Michelle Bolsonaro, desde 2013 e é pai de cinco filhos: Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Renan Bolsonaro, Laura Bolsonaro.

FERNANDO HADDAD (PT)

Fernando Haddad nasceu em São Paulo, no dia 25 de janeiro de 1963. Ele é formou-se bacharel em Direito na Universidade de São Paulo (USP) em 1985, se especializando em Direito Civil. Ele é mestre em Economia e doutor em Filosofia também pela USP. Foi professor de Teoria Política Contemporânea da universidade.

Haddad entrou para política ainda na época da faculdade, quando se filiou ao PT em 1983, virando tesoreiro do Centro Acadêmico XI de Agosto. Em São Paulo, ele chegou a trabalhar como analista de investimento no Unibanco em 2001 e se tornou subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico da cidade.

Depois de dois anos, Haddad foi para Brasília onde trabalhou como assessor especial do Minitério do Panejamento na gestão de Guido Mantega. Em 2005, Haddad assumiu o minitério, mantendo o cargo no governo da Dilma, mas deixou o cargo em 2011 quando foi lançado candidato do PT, na corrida municipal em São Paulo.

Fernando Haddad tem cinco livros publicado, está casado com Ana Estela, há mais de 25 anos e é pai de dois filho, Carolina e Frederico.

(Com informações da Folhapress)

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